Em Busca do Caminho

Pelo caminho entendemos o encanto pela vida, o seu fluxo contínuo, o processo existencial em toda a sua magnitude dinâmica, experiência, beleza, seus mistérios e possibilidades.

Enquanto se vive num plano inconsciente, vai se levando a vida por um sentido imediatista, consumista, guiado por estruturas e valores anteriores à consciência do indivíduo. Nesse plano, estamos sujeitos a todas as interpéries do caminho, como se nosso destino estivesse limitado a única saída possível. Nosso livre arbítrio só está limitado por aquilo que não sabemos.

Daí advém a crise, os conflitos, o vazio, a falta de sentido. Dentro do caminho, quando isso ocorre, só temos duas saídas: a fuga ou o enfrentamento da crise. Muitas vezes a fuga é a saída mais cômoda, apesar dos seus resultados nem sempre serem satisfatórios por muito tempo. Pode-se fugir através das drogas, dos medicamentos, da comida, do sexo, dos relacionamentos conturbados, do trabalho excessivo ou projetando-se responsabilidades.

Mas chega um momento em que a força dinâmica do caminho, ganha tamanha repercussão em nossas vidas, que a mudança de patamar existencial passa a ser uma opção séria a ser discutida.

Caminhar passa a ser a estratégia de melhoria. Trazer à consciência a condição de que chegou a hora da buscar-se um sentido existencial para a vida. Reaprender a sentir-se bem energeticamente, completo, equilibrado.  Esse é passo para o início da fase do Centramento do Self, o reencontro com o seu eu.

Estar em busca do caminho é estar aberto às aprendizagens. Somente aquele que reconhece ser um aprendiz da vida consegue perceber a existência do caminho.

A meta inicial do caminho é enfrentar toda a intoxicação energética (física, emocional e social) que acumulara até então, passando então ao centramento que o levará ao reencontro do seu self. Nesse caminho, o indivíduo começa a colher a melhora contínua em sua vida, transformando sua sombra (pulsões de morte) em homeostase (pulsão de vida).

Aos poucos, isso o conduz até o novo estágio de percepção existencial para melhor, com alegria, bem-estar cada vez mais contínuos. Quando isso começa a ocorrer, o próprio aprendiz passa a ter consciência de que o centramento do self está em curso.

Essa dinâmica de transformação é um processo dinâmico individual, com velocidades variadas, no qual à medida em que o indivíduo centra o self, mais se afasta de suas sombras da vida pregressa.

Se o processo terapêutico estiver firmado, os instrumentos estabelecidos e a inconsciência não mais guiar a vida, aos poucos pode-se ser reescrita a história individual, reconectando-se o self ao ciclo existencial do caminho.

Por transcendência, essa leitura do caminho decorre da tradição milenar da formação dos mestres da humanidade, cujo processo se iniciou na China, com Confúcio e Lao-tsé. Foram eles que demonstraram a importância da estruturação do caminho mediante um processo pedagógico individual.

Nesse sentido, a proposta da Psicanálise do Caminho é de um processo psicopedagógico estrutural para a busca de constante equilíbrio, uma ferramenta de resgate da consciência, em prol da qualidade de vida.